Enquanto tomava uma chuveirada, procurou recapitular os acontecimentos do dia. O coronel, a cadeira elétrica, as execuções, a gravidez de Luisa, a manipulação de Vera, o aborto, o neto. No começo, sentiu aversão pelo que tinha feito, mas, conforme foi se lembrando das descargas elétricas, a mesma emoção que dele se apoderara nos últimos momentos voltou a tomá-lo. O poder, ele estava no comando. Dependiam dele a vida e a morte das pessoas. De manhã, matara; à noite, salvara. Tinha um papel de destaque na eterna luta entre o Bem e o Mal.
Saiu do banho orgulhoso, sentindo-se um homem forte, a prova de sua virilidade em riste. Deitou-se na cama ao lado de Vera. Tentou abraçá-la, mas ela se esquivou. A resistência era natural... Noutros tempos, poderia sentir-se rejeitado e inseguro, mas agora sabia que acabaria vencendo. Afinal, era poderoso. Pela primeira vez na vida, sentia-se seguro, absoluto, um vencedor. Até hoje tinha sido um banana, um medíocre.
Perdera a fortuna do pai por inexperiência e descaso. A verdade é que tinha sido educado para gastar, e não para ganhar. A morte do pai o surpreendera precocemente, quando não tinha ainda na vida maiores interesses do que sair para azarar umas gatas nos lugares da moda e esbanjar o dinheiro fácil da mesada. Nada sabia do mundo, não estava interessado. Então, quando se viu, aos 20 anos, herdeiro dos negócios do pai, assumiu como quem vai brincar de executivo. Jogou dinheiro fora, investindo em idéias mirabolantes, foi passado para trás por concorrentes, fornecedores e até por amigos. Sua mãe estava deprimida demais para perceber o que estava acontecendo e só acordou a tempo de salvar o suficiente para uma subsistência de classe média. Antonio custou a acreditar que o dinheiro do pai, que lhe parecia infinito, tinha acabado.
Desde então, era um fracassado. Só não tinha sido pior porque se apaixonara por Vera aos 22 anos de idade, quando estava dando cabo dos últimos tostões da família. Ela era três anos mais velha e já estava encaminhada na vida, ganhando seu próprio sustento. Quando engravidou, acidentalmente, decidiu ter o filho, com ou sem a sua ajuda. Estava pronta para arcar com uma produção independente. No entanto, casaram-se. Foi um casamento sincero, por amor, do qual ele nunca se arrependeu. Vera foi o seu apoio. Graças a ela, ele concluiu o curso de Direito e estudou o suficiente para fazer o concurso que lhe rendeu o cargo público que ora ocupava. Não era o trabalho dos seus sonhos... Mas, quando é que tinha sonhado com trabalho? Enfim, amava sua mulher e era completamente dominado por ela. Isso nunca o incomodara muito. Até hoje.
Hoje a sua vida estava começando a mudar. O primeiro dia do resto de sua vida. O clichê era perfeito para descrever o que sentia. Abraçou a mulher, que estava deitada de costas para ele, de forma que ela sentisse sua ereção. Vera resmungou qualquer coisa, mal-humorada, e se afastou. Antônio insistiu. Vera o empurrou. Segurou-a com força e enfiou a mão entre suas pernas. Ela virou-se e o encarou:
- O que você tem? Enlouqueceu?? – perguntou, sarcástica.
- Por quê? Precisa estar louco pra querer transar com a própria mulher? – retrucou, enquanto passava a perna por cima do quadril de Vera. O que normalmente o faria brochar, hoje, o estimulava.
Se ela estava pensando que iria fazê-lo desistir, estava muito enganada. Certa vez a ouvira queixando-se a uma amiga... Dizia que sentia falta de um pouco de agressividade; que ele não tinha “pegada”... Já fazia tempo que desistira de entender as mulheres, era mais fácil atendê-las. Montou em Vera, penetrando-a bruscamente, enquanto enterrava o rosto no seu pescoço. Ela deu uns gritinhos, tentou se soltar, mas depois relaxou e se deixou dominar.
Tiveram uma noite maravilhosa. Vera não disse nada, mas ele sabia que sua performance tinha sido espetacular. Estava completamente esgotado. Seus últimos pensamentos, antes de adormecer, foram sobre a proposta do coronel. De certa forma, aquela manhã tinha sido positiva. Aliás, tinha sido revigorante, excitante, emocionante. Era disso que ele precisava. Já estava cansado de ser um mero funcionário burocrático, um mosca morta, um frustrado. Queria poder, ação... É, não podia deixar escapar a oportunidade de dar uma reviravolta na sua vida. Telefonaria amanhã mesmo.
Bom dia! Ontem de manhã li o carrasco e, à noite, li Tempos Férteis. Amei! Adorei todos os personagens, menos o Vadinho, é claro! Por favor, não escrva só um capítulo por semana. Estou morrendo de curiosidade pra saber o resto da história do Antônio e se a Luisa vai ter o bebê.
ResponderExcluirEscreve logo tudo de uma vez e começa outro livro...
Parabéns!
Oi, Isabella, achei que tivesse respondido o seu comentário há dias, mas acho que algo deu errado... Enfim, fico feliz que vc tenha gostado do meu livro e que esteja acompanhando O CARRASCO. Obrigada pelo incentivo! Infelizmente não consigo soltar mais capítulos por semana... um já é difícil... tem o resto da vida que não pára (trabalho, filho, marido, casa, cachorro...:):). Um abraço!
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