Eu não quero ter uma arma e tampouco quero que você tenha. Não quero que meu vizinho tenha, nem meu porteiro, nem o motorista de táxi, nem o passageiro do ônibus. Não quero que, durante um assalto no meu prédio, o vizinho tente reagir e acabe levando um tiro. Também não gostaria que o porteiro reagisse e matasse um bandido bem na frente do meu filho, enquanto outro bandido toma a vizinha como refém. Não quero que o amiguinho do meu filho pegue a arma do pai e leve para a escola para mostrar aos colegas (que duvidaram que ela existisse ou que estivesse ao seu alcance) e acabe disparando um tiro acidental. Não quero que o motorista de táxi, num dia de calor e de engarrafamento, salte do carro para ameaçar com sua arma o filhinho de papai que lhe deu uma fechada, seguida de um dedo do meio. Até seria educativo para o garoto, mas eu posso estar no carro ao lado e me assustar. Não quero que aquele seriíssimo pai de família, acometido por súbita e passageira estupidez estimulada por litros de álcool ingeridos enquanto assiste, sozinho, ao jogo do seu time do coração, resolva fazer um disparo comemorativo, para o alto, pela janela de seu apartamento, e acabe atingindo o ombro do meu marido, que assiste ao jogo, no sofá da nossa sala, do outro lado da rua. Não quero que um bandido assalte o seu apartamento, na sua ausência (eu sei que, se você estivesse lá, renderia com facilidade o meliante e o entregaria às autoridades...), e roube a sua arma. É que depois ele pode vendê-la a outro ladrão, que pode ser justamente aquele que vai me assaltar, quando parar o meu carro no sinal vermelho. Também não quero que o governo seja obrigado a gastar parte do dinheiro dos impostos que eu pago para tratar de vítimas de armas de fogo que poderiam não estar em circulação...Talvez você ache que eu estou querendo cercear a sua liberdade... Pode até ser... Mas não é você quem quer me impedir, ou a qualquer outra mulher que engravide acidentalmente, de realizar um aborto com segurança e sem infringir a lei? Ainda não entendi bem como você seria afetado se eu fizesse um aborto... Ah, é que você é muito sensível e ama todos os seres humanos, inclusive aqueles ainda não nascidos, e luta por seus direitos. Inclusive o direito de uma criança nascer num mundo hostil, de uma mãe que não a quer e não tem condições de criá-la e, possivelmente, vai abandoná-la... Aí, quem sabe, ela se torna um marginal, tenta te assaltar e você lhe mete um tiro na testa. .sábado, 16 de abril de 2011
EU NÃO QUERO QUE VOCÊ TENHA UMA ARMA
Eu não quero ter uma arma e tampouco quero que você tenha. Não quero que meu vizinho tenha, nem meu porteiro, nem o motorista de táxi, nem o passageiro do ônibus. Não quero que, durante um assalto no meu prédio, o vizinho tente reagir e acabe levando um tiro. Também não gostaria que o porteiro reagisse e matasse um bandido bem na frente do meu filho, enquanto outro bandido toma a vizinha como refém. Não quero que o amiguinho do meu filho pegue a arma do pai e leve para a escola para mostrar aos colegas (que duvidaram que ela existisse ou que estivesse ao seu alcance) e acabe disparando um tiro acidental. Não quero que o motorista de táxi, num dia de calor e de engarrafamento, salte do carro para ameaçar com sua arma o filhinho de papai que lhe deu uma fechada, seguida de um dedo do meio. Até seria educativo para o garoto, mas eu posso estar no carro ao lado e me assustar. Não quero que aquele seriíssimo pai de família, acometido por súbita e passageira estupidez estimulada por litros de álcool ingeridos enquanto assiste, sozinho, ao jogo do seu time do coração, resolva fazer um disparo comemorativo, para o alto, pela janela de seu apartamento, e acabe atingindo o ombro do meu marido, que assiste ao jogo, no sofá da nossa sala, do outro lado da rua. Não quero que um bandido assalte o seu apartamento, na sua ausência (eu sei que, se você estivesse lá, renderia com facilidade o meliante e o entregaria às autoridades...), e roube a sua arma. É que depois ele pode vendê-la a outro ladrão, que pode ser justamente aquele que vai me assaltar, quando parar o meu carro no sinal vermelho. Também não quero que o governo seja obrigado a gastar parte do dinheiro dos impostos que eu pago para tratar de vítimas de armas de fogo que poderiam não estar em circulação...Talvez você ache que eu estou querendo cercear a sua liberdade... Pode até ser... Mas não é você quem quer me impedir, ou a qualquer outra mulher que engravide acidentalmente, de realizar um aborto com segurança e sem infringir a lei? Ainda não entendi bem como você seria afetado se eu fizesse um aborto... Ah, é que você é muito sensível e ama todos os seres humanos, inclusive aqueles ainda não nascidos, e luta por seus direitos. Inclusive o direito de uma criança nascer num mundo hostil, de uma mãe que não a quer e não tem condições de criá-la e, possivelmente, vai abandoná-la... Aí, quem sabe, ela se torna um marginal, tenta te assaltar e você lhe mete um tiro na testa. .
Postado por
Beatriz Moreira Lima
às
11:26
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Marcadores:
desarmamento; aborto; violência; armas de fogo
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