Aniversário.
De novo. Espero que seja o fim do meu inferno astral. Nem é justo falar em
inferno astral, aqui, sentada na minha nova casa. Onde tudo é novo. Ou melhor,
quase tudo. Trouxe comigo aquela bagagem da qual não consigo me desfazer. Muita
roupa, acumulada ao longo das últimas duas décadas (outro dia recuperei a minha
canga “mais nova”, que tinha ficado na casa de um amigo e, dias depois,
arrumando as fotografias, que também vieram em grande quantidade, me encontrei
vestindo a tal canga “mais nova”, há apenas doze anos...). Alguns objetos. Móveis.
Ainda sou muito apegada às coisas. Gosto de ver as canecas verdes que existem
desde que me entendo por gente. Por muito tempo carreguei comigo uma cama e uma
penteadeira que eram da minha casa de infância. A penteadeira era do quarto da
minha mãe. A cama era do quarto de hóspedes. Na minha adolescência, foram para
o meu quarto, quando minha irmã deixou de dividi-lo comigo. Casei e levei-as junto,
como parte da minha história. Alguns anos depois, meu ex-marido me convenceu a
devolver a penteadeira. Mais adiante, devolvemos a cama. Agora, para o meu novo
apartamento, trouxe algumas coisas do lar conjugal. Nem tantas quanto gostaria,
porque infelizmente não cabem, apenas o suficiente para manter o fio da história.
Não sei se isso é bom, mas, acho reconfortante. Na vida, que não para de mudar,
pelo menos os objetos permanecem. Vão-se os anos, ficam as canecas. Originalmente,
eram doze. Hoje, restam cinco. Acho que ainda têm muito pela frente. Muita
coisa boa, tomara!

Gostei!
ResponderExcluirDelicia de texto!!!
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